Doce é uma merda. Em todas refeições as pessoas guardam um espacinho, ou seja, eliminam parte da dieta diária de proteína, carboidratos e essas coisas necessárias para se manterem saudáveis para comer um brigadeirozinho, um pastelzinho de belém, uma bomba ou qualquer sacarose que as cáries adoram.
Vai soar piegas agora, por isso prometo colocar uns palavrões bem escabrosos mais a frente, mas de doce já temos amizades, abraços, beijos, carnavais, feriados, água de coco na praia, fondue de queijo na primeira semana de frio do ano, viagem com a galera, viagem sozinho descobrindo uma nova galera. Enfim, doce é tudo que vai ficar marcado na sua vida.
O primeiro e mais odiado dos doces é o brigadeiro. De receita fácil e consistência semelhante dos chocolates em calda dos anúncios televisivos, o brigadeiro junta tudo de ruim que um doce pode ter. A qualquer momento alguma pessoa quer fazer uma panelinha de brigadeiro, na praia hordas de famintos anseiam pelo pôr-do-sol para compensar o tempo nublado com uma colherada da iguaria, e desde a infância bolinhas de brigadeiro são entuxadas nas pobres crianças que, de tanto gastar energia, se entregam primariamente ao vício da feniletilamina.
Sem defesa natural (pois mesmo o corpo humano, tão bem construído em alguns aspectos, não percebe o mal inerente que o doce carrega dentro de suas cápsulas açucaradas) o homem desenvolve uma dependência químico-social do doce. Ele acaba sendo seu melhor amigo na primeira desilusão semi-desastrosa, na segunda, na terceira e daí em diante.
E o cartel do doce já está montado há tempos, desde os astecas, quando somente os guerreiros, o conselho de guerra e imperadores bebiam um líquido sagrado feito de cacau que atribuía poderes a quem o tomasse. Do chocolate aos confeitos servidos nas cortes européias para os chicletes mascados pelos maiores atletas e também pelos maiores obesos norte-americanos, o doce é disparado a droga mais consumida do mundo.
Eu continuo achando o doce uma merda mas sei também que é muito difiícil lutar contra o mundo e contra as campanhas de marketing de Páscoa, por isso aos poucos fui me rendendo às maravilhas do doce. Ele é realmente uma metáfora maravilhosa.

Mates Of State – Team Boo. Não é o último CD da dupla, mas vai se foder, uma banda que faz um puta som doce, mas tão doce que a dependência é imediata. Puta que o pariu, vai ser doce assim e bom assim na casa do caralho arregaçado. Vai tomar no cu doce de verdade. Para valor de um puto registro, o novo CD Bring It Back é doce que nem buceta com Amarula.